quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A relva, o que sempre quis.

Era domingo, pela manhã. A ressaca moral e o coração partido lhe incomodavam o pensamento. Não era obrigação, mas se sentiria melhor caso tudo acontecesse como esperava. Mas nada é como se espera.

Passos desnorteados o fazem descer a rua. A roupa, qualquer. O cabelo embaraçado, tal como o pensamento. Lago, gramado. Fumaça de um lado, o que queria naquele momento do outro. Um cão sob um sol de domingo o faz ter um sorriso bobo, com a nostalgia. O desejo de voltar, a razão impede. Quer correr, quer abraços apertados, beijos apaixonados, promessas para se iludir, planos a fazer e uma vida feliz a viver. O discurso comum se distancia da própria vontade, novamente. Ao fundo, sabe que não é como transparece. O descrédito no amor, a valorização carnal, a fácil conquista, o mundanismo. Tudo aparência.

Deitado na relva, como sempre quis. Uma lágrima escorre, como sempre temeu. Volta pra casa, nada resolvido. Sonha novamente. Com a relva, um casal e um beijo. Mas não de terceiros. Palavras sendo ditas na primeira pessoa: dessa vez era o emissor e receptor. Sonhou... o que sempre quis!